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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

São Caetano: da Libertadores à Série D em dez anos


Enfrentando o Boca Jr de Tevez há dez anos atrás: eliminação só nos pênaltis.

Um fato que chamou a atenção do futebol sul-americano na segunda-feira, em especial ao futebol brasileiro e paulista, foi o rebaixamento do São Caetano a Série D do Campeonato Brasileiro, equivalente à quarta divisão nacional com uma rodada de antecedência para o término da primeira fase. Isso a exatos dez anos do clube do ABC ter sido eliminado nas quartas de final da Copa Libertadores de 2004 pelo Boca Jr somente nos pênaltis após dois empates (0x0 em casa e 1x1 fora). Se o critério de gols marcados fora de casa já tivesse valendo (entrou em vigor um ano depois) o Azulão teria se classificado para sua segunda semifinal em três anos. Felizmente e infelizmente falando, aquele ano de 2004 seria marcante na curta história do clube da cidade paulista de São Caetano do Sul.

O surgimento da Associação Desportiva São Caetano

Foi fundado em 1989 por iniciativa de pessoas ligadas ao esporte interessadas em reativar o futebol profissional da cidade que havia passado por boas fases em décadas anteriores com o São Caetano Esporte Clube (anos 30), São Bento (anos 50) e Saad (anos 70).
No ano seguinte faria a estréia em uma competição oficial (a Terceira Divisão Paulista), campeonato que venceria um ano depois. Chegaria ao Paulistão em 1993, mas participaria do Grupo II, a chave mais fraca, na prática uma segunda divisão. Entre idas e vindas nas Séries AII e AIII do Campeonato Paulista, participaria de sua primeira competição nacional, a Série C de 1998, onde logo de cara terminaria vice ao perder a final para o Avaí, de Santa Catarina. Mas mesmo assim, conquistaria o acesso para a Série B.

Da Série B a final da Libertadores

Final da Libertadores de 2002: derrota no tempo normal...

... e depois nos pênaltis para o Olímpia-PAR.

O clube paulista teve ascensão meteórica entre as Copas de 1998 e 2002. Estrearia na Série B logo com um quinto lugar quando os dois primeiros subiram. Mas foi em 2000 que todos conheceriam a força do Azulão...
Primeiro com o acesso para a Série A do Campeonato Paulista, depois ao ser vice do Módulo Amarelo da Copa João Havelange (o Brasileirão da época devido a problemas judiciais), que fez com que o clube participasse dos mata-matas junto com os grandes no mesmo ano. Após eliminar Fluminense, Palmeiras e Grêmio, todos fora de casa, a final seria diante do Vasco da Gama. Empate em São Paulo na ida e após dominar o começo da partida de volta da decisão, o alambrado do estádio São Januário cedeu e vários torcedores ficaram feridos, inclusive sendo atendidos no gramado, o que fez com que a final fosse suspensa e remarcada. Polemicas a parte se os vascaínos foram ou não favorecidos, um mês depois o clube do ABC terminaria vice ao perder dessa vez no Maracanã.
Em 2001 jogaria pela primeira vez o Paulistão ficando com a quinta colocação e na Libertadores cairia nas oitavas diante do Palmeiras nos pênaltis. Já no Brasileirão, novo vice, dessa vez a derrota seria para o Atlético Paranaense após duas derrotas.
Semifinalista do Torneio Rio-São Paulo, meses depois conquistaria o vice da Libertadores, feito que na época muito time grande do Brasil jamais havia alcançado. Mas de todas sem dúvida foi a derrota mais dolorosa: ao vencer os paraguaios do Olímpia em pelo Defensores del Chaco por um a zero, bastava um empate no Pacaembu para ficar com o título. Chegou a ir para o intervalo com a vantagem mínima, mas na segunda etapa os paraguaios viraram e levaram para os pênaltis. Resultado: mais um vice e a demissão de seu treinador Jair Picerni, um dos maiores responsáveis pela ascensão meteórica do Azulão.

O título paulista, a última Libertadores e a morte de Serginho


Campeão Paulista de 2004 sob o comando de Muricy Ramalho, atual técnico do São Paulo.

Como dissemos no começo da matéria, o ano de 2004 foi marcado por alegrias e tristezas para o São Caetano. Primeiro, o título de campeão paulista numa final entre clubes ditos pequenos contra o Paulista de Jundiaí, o que não ocorria desde 1990. Depois outra boa campanha na Libertadores, onde caiu somente nos pênaltis para o Boca, campeão do ano anterior após dois empates. Mas no Brasilerão do mesmo ano, a morte do zagueiro Serginho em pleno gramado numa partida contra o São Paulo no Morumbi em 26 de outubro seria um divisor de águas para o clube, negativamente falando.
Vítima de parada cardíaca fulminante, o clube que lutava por uma vaga na Libertadores, foi penalizado com a perda de 24 pontos e por pouco não foi rebaixado, além de ter seu presidente suspenso. A partir desse triste episódio o Azulão nunca mais seria o mesmo. Em 2006 a volta para a Série B seria amenizada com o vice-campeonato paulista no ano seguinte, mas nada comparado ao que estaria por vir.

Rebaixamentos e a situação atual

Ao cair para a Série B do Campeonato Brasileiro, o São Caetano faria apenas participações regulares com exceção de 2012 quando deixou de subir graças aos critérios de desempate. No Paulistão a mesma coisa, campanhas medianas sem assustar os grandes em anos anteriores.
Já em 2013 viriam dois dolorosos rebaixamentos: primeiro no Paulistão depois de treze anos na elite estadual e depois da Série B para a C, onde estava ausente desde 1998. Nesse ano, porém, se escapou por pouco da queda para a terceira divisão estadual, não se pode dizer da Série C, onde graças à combinação de resultados o clube sacramentou a queda para a última divisão brasileira, a Série D. Triste destino para um time que passou de pequeno e desconhecido a temido pelos grandes em tão pouco tempo.
Sem torcida e apoio financeiro do poder público municipal de outrora, é bem difícil que o São Caetano volte como na metade dos anos 2000 com jogadores famosos que fizeram sucesso antes e depois vestindo a camisa de vários times por esse país afora.




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