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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Pequenos brasileiros x grandes argentinos


O Boca de Tévez enfrentando o São Caetano no ABC paulista em 2004.

Hoje a noite acontecerá o inusitado confronto em partida válida pelas quartas de final da Copa Sul Americana entre a Chapecoense, clube brasileiro que está em sua segunda temporada seguida na primeira divisão nacional e o River Plate, atual campeão dos três torneios sul-americanos. Um verdadeiro confronto Davi x Golias, pequenos brasileiros diante de grandes argentinos que já ocorreu por algumas vezes, como podem ver na lista abaixo:



1988 Libertadores - Guarani x San Lorenzo
o primeiro confronto pelas oitavas

Até 1987 a Libertadores era disputada por duas fases de grupos antes da decisão. Mata-matas só houveram em algumas edições lá pelos anos 60, e resumidas a quartas e semifinais. E o primeiro confronto Brasil x Argentina na recém criada fase de oitavas de final foi entre Guarani e San Lorenzo. Na ida em Buenos Aires, empate por um gol. Em Campinas bastava uma vitória simples para os paulistas avançarem, mas os argentinos não se intimidaram e venceram pela contagem mínima, para tristeza dos bugrinos que desde então nunca mais se classificaram para a Libertadores.


2003 Libertadores - Paysandu x Boca Jrs
e o Papão deu um susto no Boca


Jornais do Pará destacam a façanha do Paysandu em plena Bombonera

Antes da participação do time paraense apenas Santos em 1963 e Cruzeiro em 1994 haviam derrotado o Boca em seu temível estádio. E não é que o Paysandu conseguiria alcançar tal feito? Candidato a saco de pancadas, o até hoje único representante da Região Norte do país em Libertadores terminou na liderança de seu grupo invicto e com quatro vitórias, incluindo um 6 a 2 diante do Cerro Porteño fora de casa. Nas oitavas o adversário seria o Boca e aí o clube entraria de vez para a história ao vencer em plena Bombonera por um a zero. Na volta porém, os argentinos fizeram prevalecer o peso da camisa e eliminaram os paraenses (4x2).
Autor do gol histórico, o atacante Iarley seria contratado pelo time de Buenos Aires e no final do mesmo ano seria campeão do último mundial conquistado por um clube da Argentina.


2004 Libertadores - São Caetano x Boca Jrs
se existisse o critério do gol fora...

Vice da Libertadores dois anos antes, o São Caetano era no início do século (acreditem!) um dos principais times brasileiros na competição. Chegando em mais uma quartas de final seu adversário seria o Boca, atual campeão continental e do mundo. E o clube do ABC paulista não se intimidou: empates nas duas partidas levaram a ver quem seria semifinalista através das penalidades. Aí deu Boca, que não perdia uma decisão por pênaltis há muito tempo. Implantado no ano seguinte, se o critério do gol fora de casa tivesse valendo em 2004 os brasileiros é que teriam avançado, pois empataram sem gols em casa e por um a um fora.


2006 Libertadores - Paulista x River Plate
a única vitória foi justamente sobre os argentinos

Ao conquistar de maneira surpreendente a Copa do Brasil de 2005 sendo até hoje o único campeão a bater somente adversários da primeira divisão desde as fases iniciais, o Paulista caiu em um grupo equilibrado onde tinha River Plate, Libertad e o El Nacional, do Equador. No final o time do interior de São Paulo terminou na lanterna de seu grupo com apenas uma vitória, e curiosamente sobre os argentinos (2x1) em casa. Se tivesse vencido outros dois jogos que empatou como mandante contra adversários menos tradicionais que o time argentino poderia ter seguido adiante.


2006 Libertadores - Goiás x Estudiantes
aqui o critério de gols fora prejudicou

Líder de seu grupo com apenas uma derrota, o Goiás já havia batido um argentino (3x0 diante do Newell's) antes de encarar o Estudiantes nas oitavas de final. Ausente havia 26 anos da Libertadores, o time de La Plata bateu os goianos por dois a zero, com os gols saindo apenas nos últimos dez minutos. Em Goiânia os donos da casa devolviam o placar até os 30 do segundo tempo, levando a vaga para ser decidida nos pênaltis quando um golzinho do Estudiantes obrigou o Goiás a marcar mais dois. Com o tempo curto o time goiano fez apenas um já nos acréscimos e acabou dando adeus a competição. Se dois anos antes o critério de gols fora de casa poderia ter ajudado o São Caetano, nesse caso se não existisse talvez o classificado poderia ter sido o time brasileiro.


2010 Copa Sul-Americana - Goiás x Independiente
o título escapou nos pênaltis

Goianos lamentam a derrota e a perda do título nos pênaltis.

O Goiás viveu situação no mínimo estranha em 2010: rebaixado à segunda divisão nacional e ao mesmo tempo finalista da Copa Sul-Americana. Depois de eliminar Peñarol e Palmeiras na casa do adversário, a final seria diante do Independiente, ausente das decisões internacionais desde os anos 90. Mesmo diante de um gigante mundial, o time goiano não tomou conhecimento e venceu a ida por dois a zero. Na volta, derrota por três a um (todos os gols dos dois jogos marcados no primeiro tempo) levou a decisão para as penalidades, e após uma única cobrança errada (de Felipe para o Goiás) a taça ficaria mesmo em Avellaneda.


2013 Copa Sul-Americana - Ponte Preta x Velez Sarsfield
a única eliminação argenitna

Apesar de algumas vitórias, em todos os casos acima nenhum clube brasileiro havia eliminado um argentino. A escrita porém, seria quebrada pela Ponte Preta em sua primeira aparição em torneios internacionais. Depois de empatar sem gols em casa, nem o mais fanático ponte-pretano poderia crer em vitória em Buenos Aires, e foi exatamente o que aconteceu: com gols de Elias e Fernando Bob o time brasileiro não só venceria como também garantiria vaga nas semifinais onde eliminaria outro grande continental, o São Paulo e cairia somente na final diante do Lanús.





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