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sábado, 2 de julho de 2016

02/07/1916 - 02/07/2016: Cem anos da Copa América


A taça exposta no estádio Nacional de Santiago-CHI.

Há exatos cem anos, no dia 02 de julho de 1916 no antigo estádio do Gimnasia y Esgrima de Buenos Aires-ARG, Uruguai e Chile davam o primeiro pontapé nessa que é considerada a competição de seleções mais antiga do mundo: a Copa América. Mesmo a edição comemorativa tendo terminada no último domingo o blog traz pra você um pequeno resumo da história da Copa América:


Nascia assim o Campeonato Sul-Americano de Seleções



Torneio de seleções mais antigo do mundo, a Copa América foi jogada pela primeira vez em 1916 com o nome de Campeonato Sul-Americano de Seleções, fazendo parte das comemorações do centenário da independência da Argentina. Além do país anfitrião, participaram dessa primeira edição o Brasil, o Uruguai e o Chile. O título ficou com os uruguaios que também faturaram a edição posterior realizada em seu território no ano seguinte.


A criação da Confederação Sul-Americana de Futebol – Conmebol

Com o sucesso do torneio foi proposta a criação de uma confederação formada por Argentina, Brasil, Chile e Uruguai. Nascia aí a Confederação Sul-Americana de Futebol, ou simplesmente Conmebol. O Brasil faturaria em casa a primeira edição sob a organização da recém-criada confederação em 1919.


Década de 20: quase um campeonato por ano

Nos anos 20 tivemos nove edições; só não houve torneio em 1928. Com exceção dos brasileiros em 1922 (novamente em casa) os outros oito títulos ficaram entre argentinos e uruguaios, com quatro conquistas para cada país. A Celeste Olímpica ficou com as edições de 1920, 1923, 1924 e 1926 enquanto que a Argentina faturou em 1921, 1925, 1927 e 1929. A nível mundial as duas seleções decidiriam ainda os Jogos Olímpicos de 1928 e a primeira edição da Copa do Mundo dois anos depois em solo uruguaio.


A vez de Peru, Paraguai e Bolívia

Peru em 1939 quebrou a hegemonia de Argentina, Brasil e Uruguai.

Na década de 30 tivemos apenas três edições: as duas primeiras ficaram entre argentinos e uruguaios, mas em 1939 surgiria o quarto país campeão: o Peru, que conquistaria o título jogando em casa. Depois de um inédito tricampeonato nos anos 40 conquistado pela Argentina o Brasil venceu seu terceiro Sul-Americano (o terceiro em casa) e na edição seguinte foi a vez do Paraguai em 1953. Após cinco edições seguidas somente com triunfos de argentinos e uruguaios o título de 1963 ficaria com a Bolívia, campeã jogando em casa.
Com a conquista uruguaia em 1967 chegava ao fim o Campeonato Sul-Americano e nos anos 70 nascia a Copa América.

Bolívia em 1963: campeã graças a altitude de La Paz.

Supremacia da dupla Argentina-Uruguai


Das 29 edições do então Campeonato Sul-Americano, em apenas seis o título não ficou com Argentina ou Uruguai. Três dessas conquistas ficaram com o Brasil, enquanto que Peru, Paraguai e Bolívia dividiram as outras três. O grande campeão dessa fase foi a Argentina (doze) com um título a mais que o Uruguai. Mas com a mudança de Sul-Americano para Copa América essa supremacia deixaria de ser tão grande...


A Copa América

Paraguai e o título de 1979 vencido no sistema de ida e volta.

Após oito anos sem disputa, o Sul-Americano retornou com o nome atual: Copa América. Nas três primeiras edições com a nova nomenclatura o torneio foi jogado sem sede fixa, em sistema de ida e volta e com intervalo de quatro anos entre as edições. Peru, Paraguai e Uruguai foram os três campeões nessa fórmula.
A partir de 1987 a Conmebol adotou um rodízio de países-sede onde Paraguai, Colômbia e Venezuela puderam organizar a competição pela primeira vez. Com esse rodízio, um país só poderia voltar a organizar o torneio após todos os outros nove países sul-americanos tiverem sido anfitriões. O Uruguai, que havia vencido a última edição no sistema ida e volta também foi o primeiro a ser campeão na era do rodízio de sedes. Depois foi a vez de Brasil em 1989 (em casa) e Argentina no ano de 1991. 
Desde então a Conmebol passou a criar mascotes para as edições como podem ver na ilustração a seguir (clique na imagem para ampliar):




A era brasileira, os convidados e mais dois campeões inéditos

 Adriano (7) empata no último minuto da decisão de 2004: título nos pênaltis. 

De 1993 em diante o torneio passou a ser disputado por doze seleções: as dez sul-americanas mais dois convidados, geralmente países da Concacaf. Em oito edições sob esse sistema apenas o México dentre os convidados esteve em todas e chegando ao vice-campeonato em duas delas.
Foi também a partir daí que o Brasil passou a ter certa hegemonia na competição: até 1989 eram apenas quatro títulos, e todos em casa. Esse número simplesmente dobrou desde então, após vencer pela primeira vez fora de seus domínios em 1997 e somando-se às conquistas de 1999, 2004 e 2007, as duas últimas sobre a arquirrival Argentina.
Foi nesse século que surgiram mais dois novos campeões, e ambos anfitriões: a Colômbia em 2001 e o Chile no ano passado.
Com o nome de Copa América a seleção brasileira foi campeã cinco vezes, seguida pelo Uruguai (quatro), Argentina (duas vezes) e Peru, Paraguai, Colômbia e Chile (uma vez cada).

Colômbia em 2001: campeã sem sofrer um gol sequer nos seis jogos que fez.


a Copa América Centenário 

Campeão em 2015, o Chile repetiu a dose na Copa América Centenário.

Um ano após a edição organizada e vencida pelo Chile, Conmebol e Concacaf se uniram para criar uma edição comemorativa dos cem anos da competição, chamada de Copa América Centenário. Jogada nos Estados Unidos, teve a participação de dezesseis seleções: as dez sul-americanas que já vinham disputando a Copa América e seis seleções convidadas da Concacaf. A decisão, como todos sabem, foi uma reprise da edição do ano passado entre Chile x Argentina com nova vitória chilena.


todos os formatos da Copa América

O último título argentino foi na primeira edição com convidados em 1993.

Da primeira edição em 1916 até a 29ª em 1967 a Copa América, então chamado de Campeonato Sul-Americano de Seleções foi disputada no sistema de pontos corridos, isto é, todos contra todos onde quem somava mais pontos era declarado campeão. Quando duas seleções terminavam empatadas em pontos, um jogo-desempate era disputado para ver quem ficava com o título, o que pode ou não ser considerado como uma final. Isso ocorreu em cinco oportunidades: 1919, 1922, 1937, 1949 e 1953.
Ao mudar o nome para Copa América em 1975 o torneio passou por algumas modificações: a primeira além do nome é que finalmente todas as dez seleções filiadas à Conmebol estiveram todas representadas. Em segundo, deixou de ser disputado no formato de liga e durante três edições não teve sede fixa, sendo jogada no sistema de ida e volta. As nove seleções eram divididas em três grupos de três onde se enfrentavam tanto em casa como fora, sendo que o primeiro de cada chave se juntavam ao campeão da edição anterior nas semifinais - quase igual o regulamento da Libertadores na época - e depois os vencedores decidiam o título, tudo em ida e volta. A edição de 1987 também foi jogada nesse sistema de três grupos de três com o campeão entrando nas semifinais, mas ao contrário das outras edições essa teve sede fixa. 
Em apenas por duas edições (1989 e 1991) tivemos uma fase de grupos seguida de um quadrangular final onde as dez seleções eram divididas em dois grupos de cinco, sendo que as duas primeiras avançavam a fase final. No quadrangular final todos jogaram contra todos e quem somasse mais pontos era o campeão. 
De 1993 pra cá a Copa América passou a ser jogada no sistema atual de doze seleções: as dez sul-americanas e duas convidadas. Desde então passou a ter três grupos de quatro onde avançam para as quartas de final as duas primeiras de cada grupo mais dois melhores terceiros colocados. A partir daí o torneio passa a ser jogado em mata-mata até que se chegue o campeão.  Somente a Copa América Centenário desse ano é que teve quatro ao invés de três grupos.


todos os campeões (1916-2016)

Luís Suarez e a taça de 2011: os uruguaios deixaram os argentinos para trás.

15 títulos
Uruguai (1916, 1917, 1920, 1923, 1924, 1926, 1935, 1942, 1956, 1959, 1967, 1983, 1987, 1995 e 2011)

14 títulos
Argentina (1921, 1925, 1927, 1929, 1937, 1941, 1945, 1946, 1947, 1955, 1957, 1959, 1991 e 1993)

8 títulos
Brasil (1919, 1922, 1949, 1989, 1997, 1999, 2004 e 2007)

2 títulos
Peru (1939 e 1975)
Paraguai (1953 e 1979)
Chile (2015 e 2016)

1 título
Bolívia (1963)
Colômbia (2001)






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