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domingo, 20 de novembro de 2016

Chapecoense x San Lorenzo: Pequenos brasileiros x grandes argentinos

O Boca de Tévez enfrentando o São Caetano no ABC paulista em 2004.
Na próxima quarta-feira teremos o confronto de volta das semifinais da Copa Sul Americana entre a Chapecoense, clube brasileiro que está em sua terceira temporada seguida na primeira divisão nacional e o San Lorenzo, campeão da Copa Libertadores há dois anos atrás e de enorme tradição em seu país. No jogo de ida empate por um gol em Buenos Aires, resultado que classifica o time brasileiro caso não tome gol em casa. Além desse confronto, ao longo das competições sul-americanas ocorreram outros entre pequenos brasileiros e grandes argentinos, como podem ver na lista abaixo:


1988 Libertadores - Guarani x San Lorenzo
o primeiro confronto pelas oitavas

Entre 1971 e 1987 a Libertadores foi disputada por duas fases de grupos antes da decisão. Mata-matas só houveram em algumas edições lá pelos anos 60, e resumidas a quartas de final e semifinais. E o primeiro confronto Brasil x Argentina na recém criada fase de oitavas de final foi entre Guarani e San Lorenzo. Na ida em Buenos Aires empate por um gol. Em Campinas, bastava uma vitória simples para os paulistas avançarem, mas os argentinos não se intimidaram e venceram pela contagem mínima, para tristeza dos bugrinos que desde então nunca mais se classificaram para a Libertadores.


2003 Libertadores - Paysandu x Boca Jrs
e o Papão deu um susto no Boca


Jornais do Pará destacam a façanha do Paysandu em plena Bombonera
Antes da participação do time paraense apenas Santos em 1963 e Cruzeiro em 1994 haviam derrotado o Boca em seu temível estádio. E não é que o Paysandu conseguiria alcançar tal feito? Candidato a saco de pancadas, o até hoje único representante da Região Norte do país em Libertadores terminou na liderança de seu grupo invicto e com quatro vitórias, incluindo um 6 a 2 diante do Cerro Porteño-PAR fora de casa. Nas oitavas o adversário seria o Boca e aí o clube entraria de vez para a história ao vencer em plena Bombonera por um a zero. Na volta porém, os argentinos fizeram prevalecer o peso da camisa e eliminaram os paraenses (4x2).
Autor do gol histórico, o atacante Iarley seria contratado pelo time de Buenos Aires e no final do mesmo ano seria campeão do último mundial conquistado por um clube da Argentina.


2004 Libertadores - São Caetano x Boca Jrs
se existisse o critério do gol fora...

Vice da Libertadores dois anos antes, o São Caetano era no início do século (acreditem!) um dos principais times brasileiros na competição. Chegando em mais uma quartas de final seu adversário seria o Boca, atual campeão continental e do mundo. E o clube do ABC paulista não se intimidou: empates nas duas partidas levaram a ver quem seria semifinalista através das penalidades. Aí deu Boca, que não perdia uma decisão por pênaltis há muito tempo. Implantado no ano seguinte, se o critério do gol fora de casa tivesse valendo em 2004 os brasileiros é que teriam avançado, pois empataram sem gols em casa e por um a um fora.


2006 Libertadores - Paulista x River Plate
a única vitória foi justamente sobre os argentinos

Ao conquistar de maneira surpreendente a Copa do Brasil de 2005 sendo até hoje o único campeão a bater somente adversários da primeira divisão desde as fases iniciais, o Paulista caiu em um grupo equilibrado onde tinha River Plate-ARG, Libertad-PAR e o El Nacional, do Equador. No final o time do interior de São Paulo terminou na lanterna de seu grupo com apenas uma vitória, e curiosamente sobre os argentinos (2x1) em casa. Se tivesse vencido outros dois jogos que empatou como mandante contra adversários menos tradicionais que o time argentino poderia ter seguido adiante.


2006 Libertadores - Goiás x Estudiantes
aqui o critério de gols fora prejudicou

Líder de seu grupo com apenas uma derrota, o Goiás já havia batido um argentino (3x0 diante do Newell's) antes de encarar o Estudiantes nas oitavas de final. Ausente havia 26 anos da Libertadores, o time de La Plata bateu os goianos por dois a zero, com os gols saindo apenas nos últimos dez minutos. Em Goiânia os donos da casa devolviam o placar até os 30 do segundo tempo, levando a vaga para ser decidida nos pênaltis quando um golzinho do Estudiantes obrigou o Goiás a marcar mais dois. Com o tempo curto o time goiano fez apenas um já nos acréscimos e acabou dando adeus a competição. Se dois anos antes o critério de gols fora de casa poderia ter ajudado o São Caetano, nesse caso se não existisse talvez o classificado poderia ter sido o time brasileiro.


2010 Copa Sul-Americana - Goiás x Independiente
o título escapou nos pênaltis

Goianos lamentam a derrota e a perda do título nos pênaltis.
O Goiás viveu situação no mínimo estranha em 2010: rebaixado à segunda divisão nacional e ao mesmo tempo finalista da Copa Sul-Americana. Depois de eliminar Peñarol-URU e Palmeiras na casa do adversário, a final seria diante do Independiente, ausente das decisões internacionais desde os anos 90. Mesmo diante de um gigante mundial, o time goiano não tomou conhecimento e venceu a ida por dois a zero. Na volta, derrota por três a um (todos os gols dos dois jogos marcados no primeiro tempo) levou a decisão para as penalidades, e após uma única cobrança errada (de Felipe para o Goiás) a taça ficaria mesmo em Avellaneda.


2013 Copa Sul-Americana - Ponte Preta x Velez Sarsfield
a primeira eliminação argentina

Apesar de algumas vitórias, em todos os casos acima nenhum clube brasileiro havia eliminado um argentino. A escrita porém, seria quebrada pela Ponte Preta em sua primeira aparição em torneios internacionais. Depois de empatar sem gols em casa, nem o mais fanático ponte-pretano poderia crer em vitória em Buenos Aires, e foi exatamente o que aconteceu: com gols de Elias e Fernando Bob o time brasileiro não só venceria como também garantiria vaga nas semifinais onde eliminaria outro grande continental, o São Paulo e cairia somente na final diante do Lanús.


2015 Copa Sul-Americana - Chapecoense x River Plate
o campeão da América quase cai em Chapecó

Campeão da Copa Sul-Americana do ano anterior, o River Plate entraria na edição de 2015 somente nas oitavas de final. Mas antes do início do torneio o time argentino havia faturado outras duas competições continentais: a Recopa em fevereiro e a Copa Libertadores em agosto, entrando na Sul-Americana como o grande favorito ao bicampeonato.
Nas quartas o adversário do time argentino seria a Chapecoense, que havia passado pelo Libertad-PAR nas oitavas. Em Buenos Aires vitória do River por 3 a 1, resultado que daria a vaga para as semifinais até mesmo em caso de derrota na volta, desde que por um gol de diferença. E no interior do Estado de Santa Catarina o quase improvável aconteceu: o time brasileiro venceu (2x1) o supercampeão River Plate, faltando um gol para a decisão por pênaltis.


2016 Copa Sul-Americana - Chapecoense x Independiente
Davi x Golias

Danilo goleiro da Chapecoense: quatro pênaltis defendidos...
De um lado um time que conquistou sete Libertadores, dois Mundiais, duas Supercopas, três Interamericanas, uma Recopa e dezesseis Campeonatos Argentinos, além da fama de ser um dos maiores clubes do mundo de todos os tempos. Do outro lado, um time que jamais foi campeão nacional de qualquer divisão brasileira e que conquistou apenas cinco campeonatos estaduais, um verdadeiro confronto entre Davi x Golias. Mas nas oitavas de final desse ano essa enorme diferença entre os dois não foi vista em campo: empate sem gols nas duas partidas e a decisão da vaga ficou na disputa de pênaltis onde venceu o time brasileiro com quatro defesas do goleiro Danilo, fazendo com que o pequeno Chapecoense entrasse para a história do futebol sul-americano!




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